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    Há por aí quem ache que as coisas bateram no fundo, estão errados. Ainda há muito, mas mesmo muito para descer. Basta ver uma prosa - aqui - publicada no blog de Fernanda Câncio. Ninguém se vai indignar, ninguém vai rasgar vestes, ninguém vai falar em campanhas rosa-negras. Pulhas, são sempre os outros, e enquanto não houver memória e a   inimputabilidade for regra, nada, rigorosamente nada irá - alguma vez - mudar.  A crise, a verdadeira crise não é económica.

    Há por aí quem ache que as coisas bateram no fundo, estão errados. Ainda há muito, mas mesmo muito para descer. Basta ver uma prosa - aqui - publicada no blog de Fernanda Câncio. Ninguém se vai indignar, ninguém vai rasgar vestes, ninguém vai falar em campanhas rosa-negras. Pulhas, são sempre os outros, e enquanto não houver memória e a   inimputabilidade for regra, nada, rigorosamente nada irá - alguma vez - mudar.  A crise, a verdadeira crise não é económica.

     
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  3. (…) “I think it’s in an impossible situation,” said Donovan, who is based in London, in an interview with Bloomberg Radio today. “Europe has failed to clear its first serious hurdle. If Europe can’t solve a small problem like this, how on earth is it going to solve the larger problem, which is the euro doesn’t work. It’s a bad idea.” (…)
    — Greece to Default ‘At Some Point’ | bloomberg.com
    texto integral aqui
     
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  5. Se um ET chegasse hoje a Portugal, ficaria a pensar que a Igreja Católica tem o monopólio da pedofilia, e colocaria a palavra “padre” como único sinónimo da palavra “pedófilo”.

    I. Padres pedófilos. O assunto, como seria de esperar, está a merecer toda a atenção possível. As televisões falam disso. Os jornais também. A net anda animada com a coisa. Ora, eu acho muito bem que se fale sobre o assunto. Mas faço só uma pergunta: por que razão só se fala da pedofilia de alguns padres católicos? Por que razão a pedofilia só é discutida quando surgem casos na Igreja? É bom lembrar uma coisa: os actos dos padres pedófilos representam uma ínfima parte do total dos actos pedófilos. E a pedofilia do primo, do pai, do vizinho, do professor? Não se fala disso?

    II. Parece-me que, mais uma vez, a Igreja funciona aqui como “bode expiatório” para um problema que varre toda a sociedade. Como não se pode bater em toda a sociedade, batemos na Igreja, que é um alvo fácil (fica sempre bem criticar a Igreja, não é?). Batemos na Igreja para nos sentirmos bem. Batemos na Igreja para não termos de olhar para o lixo que está debaixo da carpete (que até pode ser a carpete lá de casa).

    III. A Igreja Católica não é sinónimo de pedofilia. Aproveitar a maldade de uns quantos padres para denegrir a Igreja e a fé de milhões de pessoas é uma demonstração de desonestidade intelectual. Quando um professor é acusado de pedofilia, alguém se lembra de colocar em causa a profissão de “professor”? Perante um professor pedófilo, alguém se lembra de colocar em causa a ideia de “escola pública”? Claro que não. Ora, por que razão essas generalizações abusivas só acontecem quando falamos da Igreja?

    — A Igreja tem o monopólio da pedofilia? | Henrique Raposo, Expresso Online
    (publicado originalmente aqui)
     
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  7. (…)  Greek leaders, who were slammed by the debt crisis shortly after taking office late last year, insist the country is ready. Haris Pamboukis, the Greek minister of state, said he recently saw a car stopped at a red light even though there was no other traffic — apparently a rare sight in Athens. “I was very happy,” Mr. Pamboukis said Monday at a conference co-sponsored by the International Herald Tribune. “It represented a change.” Government representatives say they are determined to use the crisis to push through far-reaching measures — some of which cost no money but can save huge sums. Louka Katseli, the Greek economy minister and a Princeton graduate, offered one simple example. Speaking at the same conference, she promised to make it possible to register a new business in one day, instead of the average of 38 days it now takes. The change would save both business and government money and encourage entrepreneurship, she said. “The crisis is an opportunity for us,” Mrs. Katseli said. (…) | New York Times

     
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  9. para além de… uma fogueira de vaidades

    Não vale a pena perder muito tempo com o pitoresco no âmbito processo eleitoral em curso no PSD. As coisas são o que são, o tabuleiro é o que é, e querer julgar este ou aquele candidato com base no perfil, mais ou menos irrecomendável, deste, ou daquele, apoiante é um mero exercício de desonestidade intelectual. Todos tem, sem excepção, os seus Menezes, Jardins, etc e tal, e é impossível não os terem, com estas regras, com este tabuleiro. Não perceber isso, é não perceber nada. 

    Dito isto, o que conta, para além da pose, do sound-byte, do circo é a substância e a capacidade de resistir ou não às facilidades de uma demagogia barata e inconsequente.

    Dois exemplos, finanças e justiça.

    Sobre as finanças, o extraordinário acto de fé demonstrado por Passos Coelho segundo o qual não será necessário um aumento de impostos, aconteça o que acontecer, é a todos os títulos revelador. Pelo que é dito, e pelo que fica por dizer. Porque sendo um acto de fé, é uma fé baseada - é bom recordar - numa equipa liderada por alguém, Nogueira Leite, cujo momento  alto na carreira política - antes de ter vislumbrado em Passos Coelho um novo messias - foi ter sido secretário de estado do… Eng. Guterres, e porque passa, aos portugueses, a imagem de que qualquer rightsizing da economia não implicará necessária e obrigatoriamente sacrifícios e  cortes que tocarão a todos (quanto mais não seja porque o Estado Social tal como era encarado é algo que já lá vai…). Passar a ideia de que por quaisquer artes mágicas se consertam as contas públicas, de forma mais ou menos indolor ,é algo que - nesta altura do campeonato - já nem o PS de Sócrates se atreve a fazer. Passos Coelho fê-lo, ponto, Rangel não.

    Sobre a justiça, é verdade que Pinto Monteiro é o que é. Mas pensar que a simples remoção do pitoresco personagem do cargo resolve por si alguma coisa, é - em si mesmo - todo um retrato e todo um programa. Os problemas da justiça são demasiado vastos, demasiado complexos, e estão muito aquém e além das manifestas insuficiências amplamente demonstradas por Pinto Monteiro. Mais do que mandar o senhor embora convinha é tomar as providências necessárias para que no futuro jamais volte a ser possível alguém com o perfil, ou falta dele, de Pinto Monteiro voltar sequer a ser ponderado para cargos desta envergadura. O PSD cavalgar numa remoção de Pinto Monteiro, a seco, é transformar o caso, o cargo, e a conjuntura envolvente, numa situação estritamente política, com tudo o que daí advém. Esteve pois mal - outra vez - Passos Coelho, porque a questão não é quando Pinto Monteiro sai, mas sim como se evita - em nome de ‘consensos’ que outro igual lá vá parar. Dito isto, e sendo pelas actuais regras do jogo a nomeação do PGR um assunto exclusivo de Belém e de São Bento, o estrito bom senso recomendaria um outro tipo de abordagem - uma que envolvesse ou o Conselho de Estado, ou uma que envolvesse uma mudança prévia das regras e parâmetros de nomeação. Enfim.

    Quanto ao resto, à paisagem - a vaidade sempre um pecado favorito. Não há milagres, não pode haver. As coisas ainda vão ter que ficar pior, antes de ficarem melhor. É a vida.

     
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  11. 22:16 16th Mar 2010

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The incredible sight of the glass frog – whose transparent abdominal area allows you to see its internal organs. A team of American and Ecuadorian scientists working for Reptile and Amphibian Ecology International discovered a treasure trove of previously undiscovered species in a rare and dwindling ecosystem in west Ecuador. Photograph: Paul S. Hamilton/RAEI.org/Rex Features. via guardian uk

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    The incredible sight of the glass frog – whose transparent abdominal area allows you to see its internal organs. A team of American and Ecuadorian scientists working for Reptile and Amphibian Ecology International discovered a treasure trove of previously undiscovered species in a rare and dwindling ecosystem in west Ecuador. Photograph: Paul S. Hamilton/RAEI.org/Rex Features. via guardian uk

     
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  13. I prove that if markets are weak-form efficient, meaning current prices fully reflect all information available in past prices, then P = NP, meaning every computational problem whose solution can be verified in polynomial time can also be solved in polynomial time. I also prove the converse by showing how we can “program” the market to solve NP-complete problems. Since P probably does not equal NP, markets are probably not efficient. Specifically, markets become increasingly inefficient as the time series lengthens or becomes more frequent. An illustration by way of partitioning the excess returns to momentum strategies based on data availability confirms this prediction.
    — ‘Markets are efficient if and only if P = NP’, Philip Maymin
    sinopse extraída daqui
     
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  15. 18:45 13th Mar 2010

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  17. Um estudo de Luís de Sousa, sociólogo do ICS, mostra que 63 por cento dos portugueses toleram (ou, mais precisamente, aprovam) a corrupção, desde que ela produza “efeitos benéficos” para a generalidade da população. Isto não é um sentimento transitório, provocado por trapalhadas recentes; é uma cultura. A cultura dessa grande guerra que desde que nasceu qualquer de nós tem com um Estado opressor e remoto e com Governos que nunca respondem pelo que fazem ou deixam de fazer. O português médio execra a autoridade, seja sob que forma for, e vive no seu país como se vivesse sob ocupação estrangeira. O servilismo e a falta de carácter, que tanta gente pelos tempos fora lamentou, escondem a vontade de salvar a pele e a aspiração, muito natural, de enganar quem manda.

    Não há regras para ninguém, porque ninguém cumpre as que por acaso há. Quem pode levar a sério uma escola em que o próprio ministério fabrica os resultados, proíbe legalmente a reprovação e aceita a violência? Quem pode levar a sério um regime que se diz democrático e selecciona o funcionalismo pela fidelidade partidária? Quem pode considerar um ponto de honra pagar impostos, quando a fraude e a injustiça fiscal são socialmente sinais de privilégio e esperteza? Quem vai pedir um recibo ao canalizador ou ao electricista ou a factura no restaurante, quando sabe o que paga e o que o Estado gasta sem utilidade e sem sentido? E quem vai obedecer às determinações da câmara do seu sítio, quando a câmara é uma agência de negócios de favor e uma bolsa de favores sem explicação e sem desculpa?

    Não admira que o “povo dos pequenos” conspire constantemente contra a lei e até contra a decência. Que falte ao trabalho ao menor pretexto; que trabalhe mal, se trabalhar bem lhe custa; que peça aqui ou empurre ali, para se beneficiar ou aliviar; que torne as ruas uma lixeira pública; que guie, na cidade ou na estrada, como se estivesse sozinho; que minta a torto e a direito sobre o que lhe apetece e lhe convém; que não passe, enfim, de um miserável cidadão, indiferente à política e ao país. Não lhe ensinaram outra coisa. Os chefes são como ele. Os políticos são como ele. O Estado é como ele. Como exigir que ele se porte como Portugal inteiro não se porta? Claro que ele aprova a corrupção e consegue ver nela virtudes redentoras. Não é agora altura de mudar os costumes.

    — Público | Vasco Pulido Valente, ‘O triunfo da corrupção’
    publicado originalmente aqui

    O triunfo dos porcos’, como título também não ficava mal. De qualquer modo, as coisas são o que são, e ou  enquanto sociedade - as vemos como uma fatalidade, ou como uma oportunidade.
     
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  19. (…) Grave structural weaknesses have been revealed in some euro area states – weaknesses that have to be addressed by a long, painful process of adjustment. Economic and fiscal policy surveillance in the eurozone was insufficient to prevent undesirable trends in a timely manner. We must therefore make more decisive use of the instruments available. From now on, a member state with an excessive deficit should not receive EU cohesion funds if it is not making sufficient savings. (…)
    — financial times | ‘Why Europe’s monetary union faces its biggest crisis’, de Wolfgang Schäuble, minitro das finanças alemão
    texto integral aqui
     
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  21. 17:24 11th Mar 2010

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Hawaiian Volcano Landscape post by jchip8

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    Hawaiian Volcano Landscape
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  23. ler os outros

    Na era do twitter, do sound-byte, do raciocínio fácil, na era do social, onde o que interessa é estar com uns, contra ou a favor de outros, não há grande tempo para ler, ou pensar, sobretudo se forem calhamaços grandes que fujam a simplificações, mais ou menos cor-de-rosa. Não há, mas devia. ‘The Big Short’, de Michael Lewis, disponível aqui, review aqui,  por 20€, com entrega grátis ao domicilio, é daqueles livros que toda a gente deveria ser obrigada a ler. Seja de esquerda, de direita, conservador ou liberal, dos números ou das letras. É um retrato ácido, mas mordaz, sobre um mundo, o nosso, onde todos tentam jogar e lucrar com as omissões dos outros. Uns melhores que outros.

    É claro que quando a maioria, dita silenciosa, se demite, demite de pensar, de intervir, de sequer perceber como, e porque é que, as coisas funcionam, ou porque chegaram ao ponto a que chegaram, o descalabro é inevitável. Porque, por definição, o mercado, qualquer mercado, o sistema, qualquer sistema, não sobrevive, nem funciona, se o nível de (in)formação dos intervenientes for demasiado assimétrico.

    É um livro sobre a alta mercearia, mas podia ser sobre outra coisa qualquer. A minha cópia chegou ontem, e lê-se de uma penada. Um bom título alternativo, e menos técnico, poderia ser ‘os corvos’.

     
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  25. (…) A história da família do alegado violador de Telheiras teve altos e baixos e as mulheres que rodearam Henrique Sotero tiveram vidas difíceis. Na biografia do suspeito de várias violações na zona de Lisboa consta uma mãe fogosa, uma tia suicida, uma avó submissa e uma namorada invisível. (…)
    — i | excerto extraído daqui

    Está visto, mais uma edição e o i, num processo de pasolinização curioso, caminha a passos largos para se tornar formalmente num mero competidor do… 24 Horas e do Correio da Manhã. As coisas são o que são. Daqui por uns tempos pode ser que apareçam uns angolanos que queiram comprar
     
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  27. (…) The notion that the big threat is fiscal indiscipline is false.

    Greece is a special case. Today’s fiscal excesses are not the result of fiscal indiscipline, but of private indiscipline. The latter, moreover, was an inherent element in the workings of the eurozone itself. It is how the eurozone economy balanced, at a reasonable level of overall demand, in the pre-crisis period.

    The point is best understood from the financial balances of eurozone members in 2006, before the crisis, and 2009, at its height (see charts). The balance between income and expenditure in the private, government and foreign sectors must sum to zero. In 2006, Germany, the Netherlands and Austria ran huge private surpluses, relative to GDP, while the private sectors of Portugal, Ireland, Greece and Spain ran huge deficits. Fiscal positions seemed under control everywhere: Ireland and Spain even ran substantial (albeit illusory) fiscal surpluses. Meanwhile, the private surpluses of Germany and the Netherlands were offset by huge capital outflows. In all, we see private disequilibria, but the illusion of fiscal stability, with countries more or less in line with treaty criteria for fiscal deficits.

    Then came the crisis: overextended private sectors retrenched. By 2009, the private sectors of almost every member were running a huge surplus: they are all Germans now! So what are the offsets? The answer is: fiscal deficits. The picture for Ireland and Spain is dramatic. In the short run, it is impossible to shift external balances quickly, particularly when domestic demand in the surplus countries is so weak. (…)

    — financial times | ‘eurozone crisis nightmare’, Martin Wolf
    texto integral aqui

    (à atenção de toda a gente que por aí perora sobre o PEC, o público e o privado…)
     
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  29. um ‘cheque’, em branco, e ao portador.

     
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